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segunda-feira, 26 de março de 2007

VBAC e Indução farmacológica: ajuda ou obstáculo????

Tens 38 semanas de gravidez e desejas ter um VBAC (parto vaginal após cesariana). O teu médico ou parteira estão de acordo com o teu plano, mas no entanto, sugerem-te uma indução de parto para aumentar as tuas possibilidades de conseguir um VBAC. Estás segura que é isso que queres?

A indução só está indicada medicamente se tu ou o teu bebé têm um problema de saúde específico, como diabetes mellitus ou eclampsia. Nenhum estudo realizado até agora demonstrou que a indução por rotina melhore os resultados do parto (1). Lamentavelmente, apesar da falta de provas convincentes sobre os seus benefícios, a indução converteu-se em algo comum para todas as mulheres grávidas, desejem ter um VBAC ou não. Ainda que a indução esteja extremamente difundida nos Estados Unidos e em outros países não a faz uma opção inócua. Existem razões pelas quais o seu uso te pode levar a ter outra cesariana, em vez de te ajudar a ter um VBAC.

Taxas de Cesarianas
Em geral, os estudos demonstram que a indução aumenta a taxa de cesarianas em vez de diminui-la. Num estudo recente que utiliza dados compilados desde 1997 até 1999, a taxa de partos vaginais é maior no grupo onde o parto aconteceu espontaneamente que no grupo em que o parto foi induzido. Só 50% das induções conduziram a um VBAC de sucesso (2). Num outro estudo, o risco de sofrer uma cesariana foi de 1.5 vezes maior nos partos induzidos que nos partos espontâneos (3). Induzir o parto, na primeira tentativa de ter um VBAC, aumenta a taxa de cesarianas seguintes (4).

Riscos da indução
Outro elemento a considerar quando se elege uma indução é que, além de aumentar a possibilidade de sofrer outra cesariana, aumenta os riscos para ti e para o teu bebé. A indução incrementa o stress que o bebé experimenta, aumenta o risco de sofrimento fetal, especialmente quando utilizam as doses mais altas de oxitocina e misoprostol (5) (6) (7). A mãe deve ser vigiada cuidadosamente porque a indução pode produzir contracções demasiado fortes. As contracções artificiais são mais difíceis de suportar para ti e para o teu bebé, uma vez que o período entre contracções é mais curto e o bebé não recebe tanto oxigénio. Em alguns casos, a indução causa a separação precoce da placenta (placenta abrupta) (8) (9).
Ao eleger uma indução a probabilidade da mãe eleger ou necessitar de uma epidural para suportar as contracções aumenta (10) (11). A epidural adiciona outros tipos de riscos, incluindo dor espinal, incontinência urinária temporal, hipotensão materna, dores de costas a longo prazo, dores de cabeça, ciática e adormecimento ou formigueiro; em casos pouco comuns, produz-se paragem cardíaca, convulsões, ataques de alergia e paragem respiratória (12). A epidural eleva a temperatura da mãe, pelo que depois do nascimento esta pode requerer intervenções para descartar uma infecção. Ainda mais, a epidural pode ocasionar sofrimento fetal, uma vez que as drogas usadas passam ao sistema do bebé (13). A epidural também faz com que o parto seja mais lento, o qual pode contribuir para outra cesariana, por “não progressão de parto” (14), e usá-la aumenta a probabilidade de usar fórceps, uma vez que a mãe tem menor capacidade de puxar de maneira efectiva (15). Se sofreste uma cesariana por uma indução falhada ou por “não progressão de parto”, terás sofrido alguns ou vários dos efeitos secundários e os riscos de uma cirurgia maior, assim como os da indução, se bem que todos eles possivelmente poderiam ter sido evitados.
A ruptura artificial de membranas tão pouco se recomenda como indutor. Uma vez que a bolsa de águas está rota, aumenta o risco de infecção e impõem-se limites de tempo na maioria dos partos. Estatisticamente falando, a ruptura artificial de membranas aumenta, em vez de diminuir, a probabilidade de sofreres uma operação cesariana (16) (17).
Os bebés cujos nascimentos são induzidos parecem ter maior risco de serem prematuros (18). Apesar das provas e das melhores intenções do pessoal médico, não existe uma garantia total de maturação. Aliás, é mais comuns os bebés com nascimento induzido necessitarem de ressuscitação, a admissão numa unidade de cuidados intensivos e fototerapia para tratar a icterícia, e todos estes casos requerem a separação do bebé da sua mãe (19).

Ruptura uterina
Quanto à ruptura uterina, os factos falam por si mesmos: a indução farmacológica aumenta os riscos de ruptura uterina (39). A taxa de ruptura uterina num VBAC não induzido é só de 0.5%, menor que o risco de sofrer muitas outras complicações maiores do parto. No entanto, quando se introduz o factor indução, o risco aumenta. Um estudo recente, o qual obteve muita atenção por parte dos média, mostrou que nos VBAC induzidos com pitocina ou oxitocina, o risco de ruptura aumentou para 0.77% e com prostaglandinas como agente indutor, a taxa de ruptura uterina aumentou a 2.45% (40).
Quase todos os estudos confirmam o risco de indução nos VBAC, ainda que alguns não mostrem um incremento na taxa de ruptura (41). Num estudo realizado com 752 mulheres, ocorreram 12 rupturas uterinas, 11 das quais estiveram associadas ao uso de indução ou condução do parto ou ambos. Os autores afirmaram que o VBAC é seguro, mas que o VBAC induzido não o era (42). Num estudo mencionado acima sobre a eficácia da indução verificou-se que nos partos induzidos a taxa de deiscência da cicatriz é de 7% (43).
Uma revisão de cerca de 115.000 partos no Canadá confirmou que a indução ou condução do parto (usar agentes químicos para estimular uma maior actividade uterina num parto iniciado espontaneamente) são factores de risco confirmados para a ruptura uterina (44). Ainda que a condução do parto poderia ser uma opção menos questionada que a indução, uma vez que o parto já se iniciou, segue existindo risco de ruptura. Um estudo israelita concluiu que o uso de oxitocina e prostaglandinas aumentam o risco de ruptura (45). Outro estudo confirmou que os partos espontâneos têm um baixo risco de ruptura (0.45%), mas que o uso de prostaglandinas aumenta o risco 6.41 vezes (46).

Conclusão
Geralmente, a indução farmacológica que se pratica actualmente nos hospitais não consegue o que promete. Em vez que aumentar a probabilidade de ter um VBAC com êxito, a diminui, além de converter o teu parto numa experiência perigosa para ti e para o teu bebé. No caso de existir uma necessidade médica, a indução pode ser uma opção útil, mas não deve usar-se de forma não pensada. Se verdadeiramente precisas de uma indução, é de grande importância que se prepare o colo do útero o mais possível antes da indução de forma a maximizar a possibilidade de conseguir-se um VBAC.
Elege com muita cautela a pessoa que te vai atender no parto e discute detalhadamente com ele ou ela todas as opções antes de acederes a uma indução de parto para um VBAC.

Extraído do paper publicado no site ICAN, originalmente em espanhol com tradução livre para português. Este material pode ser copiado e distribuído sempre e quando se inclua o direito de Autor© International Cesarean Awareness Network, Inc. Todos os direitos reservados.
O paper completo pode ser lido em:
http://ican-online.org/resources/white_papers/wp_pharma_sp.pdf

3 comentários:

Anabela & Lara disse...

uma pergunta....
é possivel fazer um parto normal depois te ter feito uma cesariana?? eu sei que sim, mas nao pode dar origem a problemas para a mae??

jocas

Cristina Silva disse...

Olá Anabela
Se a gravidez corre dentro dos parâmetros normais e se a mãe e o bebé são saudáveis, estudos científicos recentes e fidedignos afirmam que é mais seguro ter um parto vaginal após uma cesariana que uma cesariana programada.
Conheço algumas mulheres que tiveram partos vaginais após a cesariana, 2 deles com 16 meses de diferença entre o filho mais velho, é claro que qto mais tempo de intervalo houver entre filhos para restabelecimento do útero melhor. Acima de tudo a mãe tem que querer intimamente um parto vaginal e acreditar que é possível e depois há também que evitar a todo o custo os induzir ou acelerar o parto com agentes indutores.
cerca de 70-80% das mulheres que sofreram uma primeira cesariana conseguem ter um VBAC( vaginal birth after cesarean).
A indução de parto num VBAC acarreta mais riscos do que se o parto for espontâneo e só deve ser usada a indução se for realmente necessário para a saúde da mãe ou do seu bebé e não por (como se diz muito) "já não estar a fazer nada na barriga da mãe"

Podes ler este texto: http://sobcesaria.blogspot.com/2007/01/15-principais-estudos-de-2006.html

ou aceder a estas páginas: www.vbac.com
www.ican.com

No grupo existem mais estudos. Porque não te juntas a nós?
beijinho
Cris

Anabela & Lara disse...

obrigada pela resposta e esclarecimento

tive uma cesariana a 2 anos, nao queria mas teve de ser, o bebe estava em posiç~ºao pelvica e era muito grande

fiquei triste... e a recuperação de uma cesariana nao é nada comprarando a um parto normal...

tive de levar anastegia geral...

eu gostava de entrar no grupo mas nao entendo népias de como entrar, loll

obrigada mais uma vez